sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Muito ou Pouco



( A Pensativa)


" O cotidiano mata a transcendência", disse Clarice Lispector, e reafirmo eu, por comprovação cabal do quanto o novelo diário nos enreda.Vamos deixando, procrastinando o correr dos dias no elenco do mais urgente, do compromisso pendente, do que não pode estar ausente e, não vemos que na outra ponta, extremo deste novelo, estamos nós atadas, embaraçadas, torvelinhadas, sem precedentes.

Primeiro eles. Primeiro elas; em segundo nível, a casa e suas necessidades, os afazeres, os perfazeres, os dias todos, nossas horas passadas. Somos ventania pelos cômodos da casa, pelas calçadas lotadas, cumprindo uma agenda memorizada.E nós, esfumaçadas, quase aladas. 

Onde deixei minha essência? Onde está minha consistência? Cadê minha permanência...

Naquilo que nos absorve, 
seja  por muito ou pouco tempo,
 traz inserido na mistura da existência, 
o muito ou o pouco que lhe dá forma,
 consistência. 
Muito ou pouco sal, preferência.
 Muito ou pouco açúcar, tendência.
Muito ou pouco tempo, paciência.
Muito ou pouco vagar, consciência.
Muito ou pouco ajudar, transcendência.
Muito ou pouco julgar, inteligência. 


Perdida não está. Escondida, talvez. Venho removendo os entulhos que me soterraram por tempos e recomeço a distinguir minha forma, meus gostos, meu jeito; aparecer, pra nunca mais sumir.





quarta-feira, 26 de julho de 2017

Divulgação - grupo de dicas para novos escritores(as)





Uma coisa nova que aprendi recentemente, foi sobre Jazz. Um assombro pra mim que conheço bem pouco sobre esse estilo musical.Durante o filme La La Land, o personagem principal apaixonado por tal estilo, explica a sua partner o cerne essencial do Jazz ao declarar ser o ritmo uma fusão de particularidades dos musicistas envolvidos, ou seja, a pauta musical fica intercalada pela perfomance aglutinada de cada instrumento da banda.Se entendi certinho, são " um por todos e todos por um" enaltecendo a originalidade sem perder a coletividade ou vice-versa.

O conceito me cativou. Congraçar sem ofuscar. Aglutinar para enaltecer.Reunir, somar, clarear, mais que ultra motivador, traz alianças incríveis, comprovadamente.A web está lotada de exemplos bem sucedidos em todas as instâncias e circunstâncias e um destes casos começou nesta semana.

Foi criado no Whatsapp um grupo capitaneado pela Rachel Agavino, do blog: O Livro Aberto,para dicas e orientações aos novos escritores(as), tirando dúvidas e promovendo a interação entre os participantes.Bem organizado e objetivo, o grupo tem regras e agenda facilitadora das atividades buscadas.

O Grupo: O Livro Aberto Dicas

O Infográfico:



Trocas inspiradoras e passos práticos num clima gerador em forma e cor das aspirações de cada candidato(a ) á trilha das histórias contadas em prosa e verso.

Recomendo muitíssimo!




quarta-feira, 19 de julho de 2017

" Pensar é coisa muito perigosa"



( foto/ Tica)


No traço da palavra, nas entrelinhas escritas, na essência latente aqui: 
A Leveza Profunda de Rubem Alves.


Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.

Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakovski suicidou-se. Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.

Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as ideias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem-unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme!) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou. Pensar é coisa muito perigosa...

Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.
Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes.

Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que chamar psiquiatras e neurologista, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para lidar com o software há que fazer uso de símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos do Drummond e o corpo fica excitado.

Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e de se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: a música que saía do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou.
Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental até o fim dos seus dias.

Opte por um soft modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente contraindicados. Já o rock pode ser tomado à vontade. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo esta receita você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram.

Rubem Alves







quarta-feira, 12 de julho de 2017

Bom de ver, bom de (re)viver






Enquanto estouravam os fogos da procissão marítima pelo dia de São Pedro, nós, as primas, deixávamos fluir a alegria incontida do reencontro depois de muito tempo.Um dia enfeitado por risos soltos e afetos reavivados. Cremos, por isso, que os fogos também assim comemoravam o dia feliz.

E , aqui diante da telinha, me lembrei de um post antigo( mais um no tema) e fui lá atrás, em 2012, recuperá-lo. Uma conversa puxa a outra e as duas se completam.



Já está combinado há tempos imemoriais que um bom papo opera milagres na vida.Quando duas ou mais pessoas se envolvem numa conversa proveitosa, todo mundo sai mais alegre, mais confortado(a).Na fala ocorre o milagre da interação, da empatia e o benefício do encontro de interesses comuns fortalece as amizades, estreita os laços do convívio.

Assim na vida, como nas artes, o encontro aproxima as almas afins.Como estou resgatando o tempo que passei sem assistir filmes fui semana passada na locadora e um deles me chamou a atenção.Depois do maravilhoso " Hotel Marigot", me encantei com esta sensível obra do diretor Jean Becker, em "Minhas tardes com Margueritte/ La Tête en friche", com Gerárd Depardieu e Giséle Casadesus.

A história mostra o encontro de gerações na figura dos personagens centrais e toda riqueza das experiências vividas que brota todas as tardes no parque da cidadezinha do interior da França.A sensibilidade da velha senhora em perceber a alma machucada de seu amigo, faz com que a amizade entre eles vá se fortalecendo cada vez mais através das conversas trocadas.

A esta altura da vida, ele encontra nesta senhora as palavras e ações de apoio e incentivo que lhe foram negadas até então.Um cinquentão e uma senhora de noventa anos reescrevem a história de suas vidas a partir desta amizade.










terça-feira, 27 de junho de 2017

Marcas do dia-a-dia




(*)


Eu não era assim, desconfiada. Quando foi que essa faceta se infiltrou na brecha aberta entre um pensamento e outro, não sei mesmo, mas, me deparei com essa borda pendente na bainha de escolhas simples e rotineiras.Fui despertando pro enxerto ao ligar pro mercado pedindo alguns produtos a domicílio; insisto na expressão.Nada contra certos anglicismos adotados, mas às vezes gosto de ser do contra.

Pois, então, fiz a listinha, peguei o telefone e fui ditando pra atendente o que precisava na ocasião, ao que em muitos ítens era interrompida por ela com ao menos três opções de marcas referentes.Claro, que eu tinha de perguntar o preço de cada uma citada e além disso, a dosagem em gramas. Verdadeira investigação pelo melhor oferecimento e, o que era uma simples lista de poucos produtos de mercado se transformou numa apurada pesquisa de produtos variados.

Levei bom tempo nesse diálogo tenso, quase uma entrevista do censo. Até cheguei a esperar que ela me perguntasse se eu tinha geladeira em casa, quantas televisões, de quantas polegadas...


O que deveria ser uma economia de tempo, virou uma perda lamentável do mesmo.Enfim, ao chegarmos nas anotações finais, me perguntei se esta prestação de serviço não teria mais intenções interligadas, tipo: memorizarmos as marcas fortes do mercado, conhecermos novas marcas dos produtos que consumimos, sermos habilmente convencidos a mudarmos de marcas preferidas e, coisas tais.

Não é de hoje que somos induzidos, manipulados pelas diferentes mídias que  agigantam suas presas sobre nossas vidas, costumes, hábitos e interesses.É só dar um Google que se acha uma variedade enorme de filmes sobre o tema.Semana passada assisti ao " O Círculo", com Emma Watson e Tom Hanks, abordando a predadora conexão ilimitada interligando de, emails a buscas, pesquisas e compras na web, o que desenha um perfil de cada usuário(a) em suas preferências e possíveis novos consumos. Assunto sabido, porém longe de estar ultrapassado. Quanto mais se torna usual e corriqueiro mais perigoso se apresenta.

Só pra confirmar a longevidade do fato, lembro da eterna Elis cantando " Comunicação":

" Só tomava chá, quase que forçado vou tomar café..."



(*) imagem do Mercado Livre





sábado, 17 de junho de 2017

No ir e vir das marés





Tem sido recorrente a meus olhos encontrarem palavras comungadas em torno do singularmente fascinante a nos encantar simplesmente pela sua existência.Desconfio que esta seja uma máxima natural que sempre esteve presente e por malgrado humano passou e passa despercebida, disfarçada na ligeireza das horas e perdida em olhares superficiais.

Claro é, que as belezas da natureza saltam aos olhos, mais de uns, menos de outros, mas saltam alardeando em seu fulgor a magia em que consistem e existem.São elas vistas de pronto ou, às vezes com o vagar e o apaixonamento merecidos, ás vezes com uma mirada fugidia, isto vai pela intensidade de cada um(a) em seu sentir e ver o mundo em suas peculiaridades. 

Tais sintomas não acometem os blogueiros e blogueiras de meu estreito relacionamento    ( mesmo virtual). Reverberam por muitos ângulos da blogosfera, imagens lindas, destacadas, legendadas ou poeticamente enunciadas enaltecendo as maravilhas vistas e vividas. As emoções conjugadas, os saberes colhidos, os momentos preciosos, as somas trocadas em laços contínuos de caprichosos apreços.

É bem verdade que, os blogs têm estado num ritmo mais lento, vagarosamente alimentados por seus (suas)  capitães de longo-curso; curso ditado pelas exigências cotidianas, pelas obrigações falantes, pelos empenhos desvairados em conter os ponteiros do relógio que, como dizia Quintana:__"devora gerações inteiras".

Desculpas, sempre nos escoram e, são necessárias, mas , a meu ver, não podem tornar-se hábito permanente. Parcimônia é prima-irmã do bom -senso. Vez por outra, precisamos sim, nos refugiarmos do correr incessante das horas e, do alto da experiência que nos foi laureada pelos anos vividos e apreendidos no ir e vir das marés, darmo-nos o prazer de usar alguns momentos do dia  em horas prazerosas, alegres em sua futilidade existencial, leves e soltas no vagar de instantes descompromissados de regras ou imposições agrilhoadas; instantes aprazíveis e de riso infantilmente aberto.


"... até no capim vagabundo há desejo de sol[...]"
         Clarice Lispector









* Já há mais  páginas do Diário do Verdinho em passeios, lá na Silvana e na Jan( link na postagem daqui: Alinhavando Páginas). 



domingo, 11 de junho de 2017

Na Claridade do Dia







Parei, mudei o percurso bem no meio do hábito, desliguei o automático e desci pra areia.Passo sonoro marcando o terreno por breves instantes de movimento estancou o ímpeto inicial sossegando o desejo... Sentei-me de frente pro azul que me cobria, absorvia, tingia e acolhia; ali parada, apenas ali sentada, apenas ali, fluí, soltei amarras, me entreguei à brisa da manhã que findava trazendo horas corridas a me esperar, não já, agora não.

Levantei o polegar a impedir o ponteiro maior do relógio antigo e sorri pra mim olhando o agito da rua distante em seus barulhos altos, em seu vaivém incessante.Não já, não agora. Agora, parei, respirei fundo, agradeci muito esse dia, todas as horas, todos e tudo. 

Chorei. Pranto bom, renovador e transparente trouxe na celulosa claridade as felicidades vividas e as esperanças de outras infindas que virão.Dia claro de nuvens passeadoras que me carregam pela mão, renova meus anseios por outros plenos e alvissareiros.A escultura celeste sorri confirmando meus desejos.











Uma ótima semana pra vcs!








terça-feira, 6 de junho de 2017

De Amores - higiene pr'alma






Minutos balsâmicos na correria dos dias funcionam como higiene d'alma.


"Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado
para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor.
Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito.
Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito.
Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.
Tenho visto muito amor por aí, Amores mesmo, bravios, gigantescos,
descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e
dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito.
Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho,
cuidado e atenção.
Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais
de repente se perceberam ameaçados apenas e tão somente
porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem;
rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender;
necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem;
enchem-se de razões. Sim, de razões.
Ter razão é o maior perigo no amor.
Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar,
de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está
sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não
possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo:
em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora
errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.[...]"

Arthur da Távola
1000imagens






terça-feira, 16 de maio de 2017

Entre pais e filhos







Correndo os olhos pelas notícias dos jornais me deparei com o artigo do Mário Sérgio Cortella, intitulado:" Os pais esquecem que a família não é uma democracia"; dado lido e imediatamente reconhecido. Num zás-trás( como dizia minha avó) revi e ouvi nitidamente meu marido falando com as filhas adolescentes indignadas ante a permissão negada pelo pai pra algum plano mirabolante.

Era um tal de choramingos e justificativas entre suspiros lamentosos de cortar o coração. O meu já vivia laminado, mas na frente delas eu ajudava a minimizar o clima. Depois, entre quatro paredes, ia ponderando com o maridão a validade da negativa se assim me parecesse justo.

Sabemos quão fina é a linha que tece as relações pessoais entre as gerações e o quanto é difícil calcular a elasticidade segura pra ambos os lados.Com duas filhas adolescentes e dois garotos, na mesma casa, os interesses se divergiam na maior parte do tempo. Nos dividíamos, eu e o pai, pra atendermos a todos e trago comigo a certeza de que fizemos o que achávamos mais certo e seguro pra filharada, mas vá explicar isso pra adolescentes borbulhantes... é discurso longo, ponderação comprida, justificativas embasadas até que ante a resistência vitimizadora das duas, o pai declarava:
___ Isto aqui é uma democracia, eu que mando!

Claro, que eu disfarçava o riso pra não perder a solenidade,mas no fundo sabia que lá vinham horas de consolo e muita saliva.A mais velha entrava dentro do armário de roupas, que era enorme, não sei até hoje como não despencou uma prateleira na cabeça dela.A mais nova se trancava no banheiro pra chorar dizendo-se um ET na vida.E entre lamúrias e choros salvaram-se todos.

Hoje, adultos e, pais e mães, vão sentindo o quanto é grande a tarefa de educar bem os filhos para a vida, tentando formá-los e informá-los sobre si próprios e o mundo que os espera.Tarefa hercúlea, mas possível. 






segunda-feira, 24 de abril de 2017

Alinhavando as páginas - Por Onde Voas Passarinho?





(*)

"O outono é a estação de uma nova descoberta. Não há urgência. Nenhuma obrigação. A natureza está tranquila..."
 ( Rubem Alves)


Somos feitos de histórias e, cada vez mais me convenço disto.A preferência é e, será sempre, pelas histórias maravilhosas que moram nos rasgos das horas luminosas a enfeitarem o correr dos dias que nos trazem sorrisos francos, leves e naturais. Ah, como isso faz diferença em meses, em anos, em vidas.Se assim não o fosse , não guardaríamos lembranças palpáveis e memoráveis. Não teríamos álbuns de fotos, cartões antigos com felicitações e coisas afins, desenhos dos filhos(as) quando crianças e agora dos netos; pra alguns tralhas acumulativas, pra mim, retalhos do que sou, preservados com carinho.

Digo o mesmo sobre certas situações inesperadas que se revelam doces vivências, ricas lembranças e fortes desejos de as repetirmos, tipo: reuniões com amigas, festas de aniversários, passeios em conjunto, festejos em família... Há também outras que não vêm com rótulo e acabam se mostrando tão significativas quanto as referidas. Estas acontecem neste universo-menino da blogosfera.Quantas interações/trocas fortuitas já aconteceram e quantas mais por acontecer se tornaram marcantemente adoráveis. 

A lista é enorme e, na minha particularmente, se somam as deliciosas páginas do Diário de Viagem do nosso Verdinho, cada vez mais aventureiro e feliz e, eu me sentindo emocionada a cada leitura, a cada carinhosa narrativa postada nos blogs. Nosso viajor alado faz amigos(as) a cada estada e enche meu coração de ternura e gratidão infindas.
Obrigada de coração, gente querida. Vcs fazem meus dias mais brilhosos!




(foto Jacki Lins)


Sugiro, entusiasmada, uma visita ás páginas maravilhosas do Diário do Verdinho
Passeios e encantos garantidos!



http://cronicasdachica.blogspot.com.br/2017/02/por-onde-voas-passarinho.html 

http://ladodeforadocoracao.blogspot.com.br/2017/02/eu-vi-o-passarinho-verde.html 

http://enkantosdalena.blogspot.com.br/2017/03/por-onde-andas-passarinho.html

https://pitadasdilu.blogspot.com.br/2017/03/por-onde-voas-passarinho.html 

http://espiritual-amizade.blogspot.com.br/2017/03/estou-vendo-passarinho-verde.html

http://mineirinho-passaredo.blogspot.com.br/2017/04/passarinho-viajor.html

http://toninhobira.blogspot.com.br/2017/04/um-passarinho-viajante.html

http://seminhabicifalasse.blogspot.com.br/2017/04/por-onde-voas-passarinho-diario-de.html

http://meucantinhos.blogspot.com.br/2017/04/por-ondes-voas-passarinho.html

http://bichinhosamados.blogspot.com.br/2017/04/bichinhos-por-onde-voas-passarinho.html

http://meusdevaneiosescritos.blogspot.com.br/2017/06/tour-do-verdinho.html

http://janassim.blogspot.com.br/2017/06/diario-de-viagem-do-verdinho.html#comment-form

http://mattiva.blogspot.com.br/2017/06/por-onde-andas-passarinho.html

https://sonhossepoesia.blogspot.com.br/2017/07/um-visitante-adoravel.html?showComment=1501531626556#c607257055324441262 

http://zizi-santos.blogspot.com.br/2017/08/por-onda-voas-passarinho.html


(*) Mimos presenteados pela Lúcia Haddad.



sexta-feira, 7 de abril de 2017

O prazer de ler - leitura recomendada








Confesso, menos culpada que desalentada, ter lido muito menos do que queria ou merecia nestes últimos quatro anos. As lidas exigentes da vida me tiraram o ânimo por vezes seguidas e não pouco, me peguei desanimada demais pra dedicar atenção à leitura fosse de que natureza fosse. Amigas chegaram a emprestar-me alguns títulos interessantes aos que me esforcei pra conhecê-los profundamente, qual o quê , mal chegava na vigésima página e o devolvia à dona.

Conto contente, em figura repetida, que isto mudou desde o fim do ano passado.De lá pra cá já li três livros, uma volta triunfal ao universo tão querido da leitura.Dos três lidos, tive um prêmio extra no terceiro escolhido e olha que é o mais novinho da pilha de espera, aquele que desperta certa culpa por passar à frente dos mais antigos da lista, mas assim foi e não me causou arrependimentos de forma alguma. Um verdadeiro presente dos deuses da escrita.

Logo nas primeiras páginas fui seduzida pelo estilo narrativo da autora em estupendas construções líricas, intensas e nunca extensas, passando longe, bem longe de qualquer sombra de tédio, o romance me fisgou, me encheu os olhos, a alma e o espírito de fulgor vívido por uma bela e bem contada história.Ele já figura em segundo lugar em minha lista dos dez melhores dos últimos dez anos.

Envolvente, surpreendente, encantador, inesquecível... Recomendo em eco alongado por todos os quadrantes da blogosfera, se é que os há.Duvido que alguém se desaponte com a leitura, mas sempre há exceções.De toda maneira, confirmo a recomendação.Se vcs a aceitarem, depois me contem suas opiniões.

Aqui vai uma provinha do fundo da colher:

" ___ Não, Livros são como pessoas, e pessoas são como livros. Vou explicar como faço.Eu me pergunto: ele ou ela é protagonista da sua vida?Qual é a sua motivação?Ou ela é coadjuvante na própria trama? Ela está tentando se retirar da própria história..."
(Nina George__ " A livraria Mágica de Paris")


Parafrasendo Milton: " Há canções e há momentos( leituras)
Que eu não sei como explicar..."


Finalizo deixando com vcs um dos poemetos da amiga Rosélia que simboliza o bom estado de espírito:

Tingir o Cotidiano

Colorir o cotidiano
Faz bem ao viver!
Embelezar tudo que 
Ao nosso redor estiver!
Seja com qual cor for,
Vale a pena tingir todo desamor!




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Mais duas páginas tocantes do Diário do Verdinho em terras baianas e gaúchas.Alegria e poesia rechearam mais estas estadas do nosso viajor.Confiram lá no Toninho Bira e na Tiane ( imperdíveis):

http://mineirinho-passaredo.blogspot.com.br/2017/04/passarinho-viajor.html

http://toninhobira.blogspot.com.br/2017/04/um-passarinho-viajante.html

http://seminhabicifalasse.blogspot.com.br/2017/04/por-onde-voas-passarinho-diario-de.html


Obrigada amigos e amigas da Blogosfera, vcs me presenteiam a cada postagem.



terça-feira, 4 de abril de 2017

Encontro Fortuito - Horas Especiais







Quando as conjunturas combinam naturalmente dão nascedouro a encontros fortuitos, daqueles amoldados sem esforço, em justaposição de fato e ocasião; aqueles que são especiais por somarem tudo de bom.
Assim tem sido nossos encontros e, com toda certeza, mais outros assim o serão.


Fomos recebidas com imenso carinho e capricho pela nossa querida anfitriã, Verena, que nos brindou com um almoço delicioso, regado a acepipes irrecusáveis.



Desde a arrumação da mesa ao gesto acolhedor, a tarde se fez ainda mais luminosa entrelaçada na alegria contagiante, 



Não faltaram mimos de toda espécie. Chocolates sortidos e tentadores, acessórios trançados com carinho e cor.




Horas inesquecíveis e velozes, porém intensas, marcaram este dia ultra feliz.
Obrigada, Verena, Rosélia, Jack e Lúcia, por este laço especial!



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quinta-feira, 30 de março de 2017

Céu de outono - olhares antigos






Mesmo sendo repetitiva, vou insistir, me perdoem se lhes canso e, até posso imaginar o aceno de cabeça que vocês me respondem, sim, porém, repito incansavelmente que a atual estação me encanta, me energiza, me renova e me faz sorrir à toa.Pois, foi no passeio de domingo passado pelas atrações da nova zona portuária que fomos dar, ao fim, num pequenino restaurante da rua do Rosário, centro do Rio. 
Poucas vezes estive naquela parte final da ruela famosa.Pedaço tradicional em seu calçamento de paralelepípedos marginado pelos sobrados coloniais e encantadores, ao menos, aos meus olhos.Ia pelo passeio com as crianças pelas mãos e olhos para o alto, desfrutando daquele pedaço de história encravado no frenesi dos arredores.Não há como não sentir-se cativa aos detalhes primorosos da arquitetura, tão bem  preservados; verdadeiros monumentos históricos que parecem nos chamar a conhecê-los mais de perto.É como se dissessem:
" __ Aproximem-se, escutem atentos, temos muitas histórias pra contar."




E como é difícil pra mim não cair em tentação de aceitar o convite e bater à porta, pedir licença e me extasiar pelas paredes, assoalhos e alpendres do casario.
Poupando os passos pra não me distanciar daquela magia, descobri surpresa que a poucos metros dali, fica o marco zero do Rio. Vejam só que ironia atrelada à ignorância, saber onde fica o marco zero de Paris e desconhecer onde está situado o do Rio. Negligência corrigida, consciência consolada.




O Centro da cidade conseguiu preservar o encanto do Rio antigo em meio aos arranha-céus modernos em suas fachadas espelhadas a emprestarem reflexos iluminados ao charme de épocas elegantes.





RUA DO ROSÁRIO